
A vivência da clínica faz uma terapeuta crescer enquanto ser humano de uma forma inimaginável!
Pense em ouvir diferentes histórias todos os dias, as nuances mais profundas da alma de cada um, confissões íntimas, revelações que só você sabe e as reverberações disso tudo. Embora tenha uma parte dolorosa para quem sente, e o terapeuta também, acredite! Existe outra que pouco se fala. O crescimento a partir da dor.
Eu sei, pode parecer estranho. E pra mim muitas vezes também é. Principalmente porque fui uma psicóloga que estudei autocompaixão. E pensar que a dor também pode trazer crescimento pode parecer contraintuitivo.
Mas passada a fase de aceitação, ela pode e muito ser usada para o crescimento.
Vamos tocar em feridas aqui hoje, a partir da perspectiva do livro do psiquiatra Wilhelm Reich, um austriaco que viveu entre (1897 a 1957) e discorreu em uma obra que inicialmente não seria publicada, a importância da auto responsabilidade.
Embora doloroso de se admitir, quem já passou por um processo sério de psicoterapia vai compreender o que esse psiquiatra abordou em suas reflexões.
Porque Zé Ninguém?
O ponto mais interessante desse livro e que se comunica com a clínica e principalmente quando começamos a observar resultado nos tratamentos psicológicos é que Reich não está dizendo que as dificuldades da vida são escolhas individuais, mas, mesmo quando não somos responsáveis pelo o que aconteceu conosco, continuamos responsáveis pelo o que fazemos a partir daí. (Doloroso, mas, real.)
E eu sei que você pode estar pensando em casos graves como: Eu não tenho culpa por viver com essa pessoa tóxica. Então, vamos continuar discorrendo.
Entendemos que dentro da Terapia Cognitivo Comportamental, não podemos mudar o passado, as ações do outro e as injustiças vividas, mas, podemos e devemos estabelecer estratégias mais funcionais para responder a essa realidade.
O ponto principal aqui e que não podemos negar, é que quando permanecemos identificados com esses modos, reduzimos a capacidade de protagonizar a própria vida. Protagonizar a própria vida!
Segue um trecho do livro:
“Mas o que dirá a opinião pública da minha opinião pessoal? Serei esmagado como um verme se expressar minha própria opinião!” “O que você chama de opinião Zé ninguém, é o conjunto das opiniões de todos os Zes ninguéns? Homens e mulheres. Suas opiniões incorretas derivam do medo das opiniões incorretas de todos os outros Zés ninguéns! (Reich, 2007).
Essa reflexão nos convida a pensar de forma incômoda, mas, necessária, em talvez em qual área da nossa vida estamos aguardando que alguém nos salve?
Não para negar nossas dores, nossos condicionamentos ou as injustiças que enfrentamos, mas, para lembrar que existe uma diferença entre compreender as razões do sofrimento e permanecer aprisionada a elas!
Dentro da Terapia Cognitiva Comportamental e das terceiras gerações trabalhamos para reconhecer a realidade como ela é, identificar os pensamentos que nos aprisionam e agir, passo a passo, em direção aos valores que escolhemos viver. A vida que queremos viver.
Entre o que aconteceu e o que faremos daqui para frente, existe um espaço de escolha. E é nesse espaço que a responsabilidade deixa de ser um peso e se transforma em liberdade!
“Faça o que o seu coração mandar, ainda que ele o leve a caminhos que almas tímidas evitariam. Mesmo quando a vida for um tormento, não permita que ela o torne insensível” (Reich, 2007).
Mas, justamente por entender a dificuldade envolvida em sair desses contextos é que indico fortemente o acompanhamento de um psicoterapeuta. Transformar dor em crescimento não é um processo automático.
Muitas vezes quando estamos feridos não enxergamos alternativas além da sobrevivência. A psicoterapia não apaga o passado nem diminui a gravidade do que foi vivido. Ela oferece um espaço seguro para compreender a própria história e desenvolver novos recursos emocionais, reconstruindo passo a passo uma vida que faça sentido novamente.
Te aguardo no consultório, seja online ou físico para que juntas possamos explorar essas dores e encontrar caminhos no seu tempo e que façam sentido para você!
Com amor!
Referencia: REICH, Wilhelm. Escute, Zé-ninguém! Tradução de Waldéa Barcellos. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.