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psicologa em indaiatuba

Ansiedade e Sobrecarga Emocional na Mulher

Os dados ajudam a nomear aquilo que muitas mulheres sentem, mas, não conseguem explicar.

Hoje, a ansiedade é uma das principais queixas emocionais entre as mulheres dentro do meu consultório.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (2017) os transtornos de ansiedade são mais prevalentes em mulheres do que em homens.

A ansiedade é multifatorial. Não é sobre fragilidade como muitos pensam ou tentam disseminar. E nesse caso, estamos falando de contexto sociocultural também. Por isso, vamos destrinchá-lo um pouco.

Múltiplos papeis
É claro como a mulher nos dias atuais não ocupa apenas um lugar. Geralmente são mulheres que são profissionais, mães, esposas, cuidadoras do lar, igualmente são as maiores responsáveis também por trabalhos sociais e voluntários no Brasil, dentre outras atividades que geralmente encabeçamos, mas que não cabe eu listar todas aqui. Além disso, existe uma pressão social velada para que a mulher corresponda a certos aspectos psicológicos como por exemplo: seja parceira, independente, emocionalmente disponível e estável, cuidadora e ainda faça tudo com excelência!
Sobrecarga emocional e mental
Um relato bem comum que percebo é que a maioria das mulheres vivem em estado de alerta constante. Não é só fazer. É lembrar, organizar, prever e sustentar não somente as suas demandas (quando sobra tempo para cuidar de si), mas, principalmente as dos outros. O famoso: “Lava a louça por favor” não é ajuda suficiente. Alguém teve que observar e gerenciar que a louça estava suja. Mesmo morando na mesma casa, a mulher é quem observa esses afazeres. E esse gerenciamento causa estafa mental.
Pressão social e padrões irreais
Outro ponto interessante a ser observado é um relato comum sobre (comparação) e esse relato quase sempre vem acompanhado do mesmo lugar. As redes sociais. Existe uma expectativa silenciosa de dar conta de tudo, e ainda com leveza. A mulher que está estafada e tem reações emocionais intensas geralmente é taxada com adjetivos como louca, histérica ou bipolar (Termo psiquiátrico usado incorretamente nesse contexto, carregado de estigma e preconceito). Mas o que ninguém vê é a estafa mental e acúmulo de tarefas que essa mulher teve de dar conta para chegar àquele nível de cansaço. Outras expectativas também acompanham esse grupo. A maternidade tem que vir, o casamento precisa acontecer, conquistas financeiras também se completam como se fossem a cereja do bolo. A fulana casou, viajou, engravidou, comprou a casa e eu estou atrasada. Quando tudo isso não acontece, surge a culpa. E a culpa alimenta ainda mais a ansiedade.
Desconexão de si mesma
Talvez esse seja o ponto mais profundo e menos falado. E sinceramente o que eu mais gosto de explorar nos atendimentos. Muitas mulheres passaram tanto tempo atendendo expectativas externas que perderam o contato com quem realmente são. Respostas que deveriam estar mais claras como por exemplo: quero ou nao ser mãe, quero ou não um relacionamento, qual a minha orientação sexual, sei exatamente o que me faz feliz, me sinto realizada quando me expresso de determinada maneira, ou meu valores são esses, etc… Ficam quase que sempre em branco ou a resposta vem na ponta da língua. Mas nem sempre é a resposta da alma. Mas da expectativa externa.
Um novo olhar com otimismo
O corpo é sábio. E nos avisa os incômodos. O cansaço e a ansiedade podem ser um convite para olhar com mais consciência para a própria vida. Um corpo e uma mente que já não conseguem mais sustentar o mesmo ritmo. Muitas mulheres ficam presas no ciclo vicioso de como posso fazer para dar mais conta de tudo. E a grande pergunta é: Vale a pena continuar vivendo assim?

A ansiedade é o aviso.

Diante disso é importante salientar que não é preciso atravessar tudo isso sozinha. Na verdade, é quase impossível. A psicoterapia é o lugar onde aos poucos, você pode compreender suas emoções, reconhecer padrões e construir novas formas de se relacionar consigo mesma e com a vida.

Mais do que entender o que você sente, a psicoterapia oferece ferramentas práticas para lidar com a ansiedade no dia a dia, desenvolver estratégias mais saudáveis de enfrentamento, construir uma relação mais equilibrada com suas responsabilidades, e construir uma vida de fato significativa e direcionada a valores escolhidos por você!

Ao longo do processo terapêutico, algo começa a mudar, o que antes era automático passa a ser consciente, e o que era peso constante começa aos poucos a encontrar espaço.

Desejo que ao longo desse caminho, você possa se escutar com mais gentileza do que cobrança.

Que o peso que você carrega hoje encontre, aos poucos, espaço para se organizar sem pressa.

E que você não precise mais viver apenas dando conta..mas possa de verdade, se sentir presente na própria vida.

Referências:

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates. Geneva: WHO, 2017.